quinta-feira, 27 de abril de 2017

Letra de samba feita por Pipe Grohs, morto na tragédia da Chapecoense, vira clipe em homenagem de amigos; assista

 Pipe Grohs ao lado de Caio Júnior – Divulgação Chapecoense

Ele tinha apenas 25 anos e tantos sonhos que, com certeza, nem caberiam em sua prancheta de anotações. Amava o futebol e queria ser técnico. Para isso, o curitibano Luiz Felipe Grohs, o Pipe, tinha um mentor e amigo: Caio Jr. Os dois estavam entre as 71 vítimas fatais do desastre aéreo envolvendo a equipe da Chapecoense que viajava para Medellín, na Colômbia, para a disputa do jogo de ida da final da Copa Sul-Americana.
Mas que Pipe era apaixonado por futebol, todos sabem. O que poucos imaginam é que ele também adorava música, adorava escrever, adorava poesia. Ainda na época em que frequentava as aulas de Educação Física na Universidade federal do Paraná, lá em 2010, resolveu escrever a letra de uma música, um samba de raiz. Simplesmente escreveu e entregou ao grande amigo João Farah, estudante de engenharia e vocalista de uma banda chamada Cáspita.

Pipe em imagem no clipe no “Samba para Pipe”
“A gente estudava no mesmo campus e passava muito tempo junto. Um dia ele chegou com uma letra de música, escrita numa folha de papel e eu fiz a melodia. A gente chegou a cantar em alguns bares, mas nunca tinha gravado. Queria fazer isso, mas sempre fui deixando pra depois. Até que veio a tragédia e a gente perdeu o Pipe. Foi então que reunimos os amigos e gravamos este clipe com a música que tem a letra dele. Gravamos o ‘Samba para Pipe’ em homenagem a ele”, contou o amigo João Farah.
O clipe foi gravado num vídeo caseiro num misto de emoção, alegria e saudade. “O Pipe era uma pessoa muito inteligente, tinha sempre as frases certas nas horas certas, muito articulado, muito querido, todos gostavam demais dele. Sabe aquelas pessoas que estão sempre prontas pra ajudar? Ele tinha muitos amigos. Foi um choque a morte dele, que deixou uma saudade imensa”, diz o amigo Farah.
Na época que a música começou a ser cantada, Farah estava na banda Cáspita, que hoje não existe mais. Um mês depois da morte do amigo, colegas das bandas Tropical Doom e Ilumini Night se reuniram e gravaram a homenagem.
O clipe começa com a frase de um dos amigos de Pipe, Leo Gaede: “Que todas as portas se abram para que o tempo passe leve transformando essa simples despedida em um até breve”
No refrão, Pipe dá o seu recado: “Mas o que vale é jogar conversa fora e acreditar por uma hora que os problemas não são 100 milhões”.
Assista aqui ao clipe Samba para Pipe:

Um pouco mais de Pipe Grohs
Luiz Felipe Grohs morreu aos 25 anos, bem no meio do caminho de seu maior sonho: ser técnico de futebol. Desde os 15 anos de idade tinha a certeza que era isso que iria fazer da vida. Dispensado das categorias de base do Coritiba, passou a estudar muito. Amigo de Matheus Saroli, filho de Caio Júnior, passou a aprender com o mestre. Passaram os últimos 10 anos da vida juntos. Começou a fazer um trabalho de análise de desempenho para o Caio ainda no Vitória (BA) e seguiu com o técnico por onde passou, inclusive durante duas temporadas no Al-Shabab, dos Emirados Árabes, época em que morou em Dubai.
Na volta do treinador para o país, ele veio junto para a Chapecoense. Só que num posto mais alto. De analista de desempenho, Pipe já havia virado auxiliar-técnico de Caio, isso com 25 anos de idade.
Terminou sua trajetória por aqui, mais uma vez, junto de Caio Júnior. Os dois estavam sentados lado a lado no avião que caiu na Colômbia e foram velados, também lado a lado, em Curitiba.





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