sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Presos, Beto Richa e a mulher devem prestar depoimento nesta sexta, diz MP

Beto e a mulher estão presos em uma sede da Polícia Militar, em Curitiba — Foto: Nani Gois/Alep

O ex-governador Beto Richa (PSDB) e a mulher dele, Fernanda Richa, devem ser ouvidos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organização (Gaeco) na manhã desta sexta-feira (14).

Os dois estão entre os 15 presos da Operação Rádio Patrulha, deflagrada pelo Gaeco na terça (11).
Richa e a ex-primeira dama estão detidos no Regimento da Polícia Montada, da Polícia Militar (PM), na capital paranaense.
O prazo da prisão temporária deles vence neste sábado (15). Após esse prazo, a prisão poderá ser prorrogada por mais cinco dias ou convertida para preventiva, que é quando não há prazo determinado para sair.
Caso não haja nenhum desses pedidos por parte do Ministério Público do Paraná (MP-PR), os dois devem ser liberados.
André Bandeira, que se apresentou à polícia na quarta (12), também deve ser interrogado na manhã desta sexta, segundo o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti. O irmão de Beto, Pepe Richa, foi ouvido na tarde desta quinta-feira (13).
A suspeita do Gaeco é de que todos tenham envolvimento em um esquema de superfaturamento de contratos para manutenção de estradas rurais para o pagamento de propina para agentes públicos. Esses contratos faziam parte do programa Patrulha do Campo.
De acordo com o MP-PR, apura-se o pagamento de propina a agentes públicos, direcionamento de licitações de empresas, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.
Beto Richa é considerado chefe da organização criminosa, que fraudou uma licitação de mais de R$ 70 milhões para manutenção das estradas rurais, em 2011, segundo as investigações.
Fernanda Richa participava da lavagem de dinheiro desviado no esquema, de acordo com o MP-PR.

STJ nega pedido de liberdade


O pedido foi feito pelos advogados depois que o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) já havia negado a soltura dos dois, na noite de quarta-feira (12).
Conforme o STJ, a decisão da ministra se fundamentou na Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal (STF), que não admite habeas corpus contra ato que apenas negou liminar em habeas corpus impetrado em instância anterior.
De acordo com a ministra, o juízo de primeiro grau fundamentou de forma suficiente sua convicção de que a prisão é imprescindível para a investigação criminal, especialmente “para garantir a isenção dos testemunhos colhidos, impedindo ou minorando a influência dos investigados sobre as testemunhas que serão ouvidas”, conforme consta do decreto prisional.

O outro lado

Beto Richa nega as acusações. Ele afirmou, por meio da assessoria do PSDB, que está sofrendo muito e que enfrenta com serenidade e confiança qualquer acusação. Veja a nota na íntegra:
"Enfrento com serenidade e confiança qualquer acusação, mas devo dizer que eu e minha família estamos sofrendo muito com o julgamento antecipado que nos está sendo imposto. Sou um homem público há mais de duas décadas, com a mesma honradez. Tenho a consciência em paz e sei que, no devido tempo, a verdade sempre se impõe. Garanto a você, que me conhece e para quem exerço com responsabilidade a vocação que Deus me deu: nada devo e sigo confiando na justiça."
O advogado de Fernanda Richa disse que ela é inocente e que confia na Justiça. A defesa disse ainda que Fernanda sempre esteve à disposição para contribuir com eficiência nas investigações a que foi chamada a responder e que a prisão é excessiva, inadequada e desnecessária.

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