sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Consumo de produtos orgânicos possibilita um futuro sem câncer, dizem especialistas

Brasil atravessa uma longa discussão sobre o uso dos agrotóxicos nas lavouras, visto que um Projeto de Lei que tramita no Congresso Nacional quer permitir a comercialização de mais tipos deste produto no País. Os mais radicais traduzem isto como “mais agrotóxico na mesa dos brasileiros”. Já os grandes produtores do agronegócio defendem que os novos agrotóxicos (que eles preferem chamar de produtos fitossanitários) – já usados em outros países – são mais eficazes, menos prejudiciais à saúde e mais baratos, o que reverteria em mais produtividade e menos custo ao bolso do consumidor.
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Independente se é pouco ou muito, tem gente que não quer nenhum agrotóxico no prato e por isto opta por consumir produtos orgânicos, que são totalmente livres de qualquer tipo de química nociva ao corpo humano. Eles são produzidos da forma mais natural possível e o combate às pragas que eventualmente atacam as lavouras também é feito de forma natural, através do equilíbrio do ecossistema.
Conforme Rose Bezecry, diretora da Associação de Comerciantes do Mercado Municipal de Curitiba e dona da Cativa Natureza, fabricante de cosméticos orgânicos, estudos mostram que os agrotóxicos são cumulativos no organismo e podem desencadear doenças, principalmente o câncer. Para pacientes que já descobriram a doença, alguns médicos naturopatas indicam o consumo dos orgânicos porque acreditam que os agrotóxicos diminuem a eficácia da quimioterapia. Portanto, os estudos concluem que o consumo de orgânicos ao longo da vida previne o surgimento do câncer e, para quem já tem, ajuda numa recuperação mais rápida (nos casos menos avançados, em que ainda há cura).
“Na maioria dos produtos, não adianta lavar o alimento, porque o agrotóxico acaba penetrando no tecido vegetal. E o agrotóxico, acumulado no corpo, é cancerígeno”, afirma o engenheiro agrônomo Raul Matias Cezar, que se dedica à agroecologia desde o segundo ano da faculdade (está formado há 10 anos).

Mais sabor

ORGANICO – CURITIBA – PARANA – 01/08/18 – Organicos no mercado municipal. FOTO: Felipe Rosa / Tribuna do Parana – AGP

Quem consome orgânico diz que o sabor e a textura dos alimentos são melhores que os produtos convencionais. “São mais saborosos e tem algumas plantas com sabores peculiares. Umas mais azedinhas, por exemplo, podem substituir o vinagre no tempero da salada. Os vegetais, como são mais saborosos, usamos menos sal para cozinhar e temperar, entre outros artifícios e temperos naturais que deixam a comida mais saudável e sustentável”, diz o produtor rural de orgânicos Eliton Ceccon.
Ele conta que sua família, que vem de gerações de produtores rurais, começou a cultivar produtos orgânicos depois de ver muitos dos seus familiares, amigos e vizinhos, também produtores, adoecerem por causa dos agrotóxicos. “Então um dia a minha mãe decidiu que não queria mais isso para nós. Foi buscar informações sobre a agricultura orgânica e agroecologia. Passamos três anos sem cultivar nada na terra, para tirar os defensivos mais pesados. Depois as nossas amostras de solo foram aprovadas, construímos as barreiras verdes (para evitar a contaminação de agrotóxicos usados em terrenos vizinhos) e conseguimos a certificação de produtor rural de orgânicos. Foram anos difíceis, até aprendermos tudo e produzir alimentos melhores. Mas hoje meus pais são mais felizes porque não estão agredindo o mundo e levando mais saúde às pessoas”, conta Eliton. A família dele trabalha com orgânicos há 15 anos.

Poupança de saúde

Muita gente reclama que os produtos orgânicos são muito mais caros do que os convencionais. De fato, há produtos em que a diferença assusta, embora alguns tenham preços competitivos.
Uma das coisas que encarece o produto, dizem os produtores rurais, é a certificação que eles precisam ter por força de lei. É preciso contratar uma empresa de certificação, que faça testes e garanta que aquele produto é livre de agrotóxicos do cultivo à venda. O próprio manejo dos produtos, explica Eliton, dá muito mais trabalho que o convencional, pois o combate às pragas de forma natural nem sempre é algo simples (como aplicar o agrotóxico e deixar agir). É preciso plantar outras plantas ao redor que atraiam a praga e a retirem do cultivo. Ou seja, equilibrar o ecossistema, que demanda tempo e paciência.
Felipe Rosa / Tribuna do Parana
Felipe Rosa / Tribuna do Parana
As hortaliças são os produtos mais “fáceis” de produzir de forma orgânica. Por isto, os preços não variam muito. Enquanto uma alface convencional custa em torno de R$ 1,20, uma orgânica pode custar cerca de R$ 1,50. Já produtos como tomate e cenoura, por exemplo, o preço pode assustar. Enquanto um tomate comum custa em torno de R$ 3 o quilo, no setor de orgânicos do Mercado Municipal eles chegam a R$ 8 ou R$ 10 o quilo. As frutas são ainda mais difíceis de cultivar, pois além das pragas terrestres, estão sujeitas aos pássaros. “Muitas vezes, precisamos vasculhar um pomar inteiro para conseguir encher uma só caixa de frutas”, explica Eliton. Um quilo de manga orgânica, por exemplo, pode passar dos R$ 10.
“O tomate prefere regiões mais secas. Como nossa região é muito úmida, o tomate cultivado fora da época bem provavelmente sofrerá o ataque de fungos, que deixa o produto todo ‘pintado’ por fora. Ele pode ser consumido assim. Quem estranhar as pintas, pode até cortar esses pedaços da casca. Mas é difícil o consumidor querer comprar um tomate todo pintado”, explica o produtor, mostrando ainda que este é um dos produtos que mais “absorve” agrotóxicos.


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